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segunda-feira, 3 de março de 2014

O Gato Mágico

Postado por M.ader às 06:20
Luce podia falar que era unida ao gato, ou o gato unido a ela? Só sei que um dos dois era ligado ao outro. Não de modo que quando o gato sumisse a menina sentia as travessuras que ele fazia - Isso seria estranho!- . 
O gato era peludo - o que é normal nos animais -, seus pelos eram negros como a maior escuridão de uma noite sem fim, seus olhos verdes e azuis - a menina não compreendia isso, então eu não tenho que compreender  essa dadiva que o felino trazia em sua bola em cima do focinho -. 
Não posso deixar de falar que seu rabo era tão macio que podia ser feito de travesseiro  se não o machucasse obvio. Mas aquele gato sempre teve algo estranho - não, não é um raio na testa - mas sim uma cartola. 
- Gatinho... Gatinho - Luce chamava-o.
- Já vou garota - a voz brusca do gato surgiu em seu ouvido. 
- Não seja mal-educado Franks - Luce sentou-se no chão, aproveitando do cheiro de madeira e um pouco de mofo. O cheiro que ela amava. 
O gato se espreguiçou e ficou sobre 2 patas, andava para lá e para cá. Sua cartola se movia como um macarrão. Ele parecia pensar e depois resmungava algo com"M". 
- Gatinho - Luce ficava choramingando pela atenção do gato. 
- Luce estou ocupado, estou planejando voltar para meu mundo.
- Mas e eu? - Luce o olhou, de um modo que até eu fiquei comovida. 
- Ficará aqui - Franks se lambia antes de se engasgar com o próprio pelo. 
 A menina nada mais disse, depois de beber seu leitinho ela agia de um modo meio "lerdo", precisava de um pouco de biscoito e tudo ficava bem. O gato estranhava cada dia mais esse mundo onde pessoas agiam de modo ridículo, sempre ficando cada vez mais enojado com a sujeira que se passava no mundo onde fora colocado.  Luce era a unica que realmente lhe entendia, mas mesmo assim era uma deles, se a levasse ela seria morta. Os gatos mágicos eram bem rígidos, não podia nem comer peixes nas horas erradas, que se os gatos verem colocam os outros para tomar banho na mesma hora. 
As vezes os humanos se mostravam piores, brigas, destruições, pessoas arruinando a vida das outras. Franks sabia que aquilo não era bom para nenhum dos dois lados. Pareciam Zumbis procurando unicórnios para comerem. 
Luce estava dormindo, parecia tão inocente, aliás ela era, essa é a dadiva de uma criança elas serem inocentes. Serem suportáveis. Ou talvez não. 
Franks brincava com sua cartola, ela brilhava junto com o laço dela, era um brilho quente, que fez seu pelo sentir aquela sensação de queimação. Por dentro dela ele viu seu mundo, os gatinhos trabalhando, sua rainha sentada em seu trono olhando todo o esforço de seus seguidores, viu tudo que podia ter de volta, sua casa, sua família. Mas lá dentro, bem lá dentro ele se perguntava que voltar era a melhor escolha, se deixar a menininha era certo. Era como Alice deixar o Pais das Maravilhas. Narnia sem Aslam. Ele não era nada sem Luce. Então assim que a Cartola se abriu ficando do tamanho de uma porta, puxou a menina pelo pé e entraram. Mas não para seu mundo, eles iriam criar o mundo deles. 


- Maisa. 

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